7 de dezembro de 2011

Altruísmo Egoísta


Algumas considerações introdutórias. Altruísta é aquela pessoa solidária que se preocupa com os outros ao ponto de, se preciso for, se prejudicar para favorecer outra pessoa. Uma pessoa que tem como visão o bem estar do próximo (em determinada visão teológica, este seria o Amor de Jesus pela humanidade, que chegou ao seu momento ápice na Sua entrega voluntária na cruz).

Você deve estar pensando: "Ei, pera aí! Altruísmo é antônimo de egoísmo! O que você, Henrique, quer dizer com 'altruísmo egoísta'?" Mate esta charada comigo.

Conheci uma pessoa que era fácil em fazer amizades. Fiquei entusiasmado com esta capacidade. De fato, as pessoas quando inseridas em seu campo de amizade eram bem tratadas, elogiadas e favorecidos. Se fosse um emprego, ela conseguiria. Se fosse para cantar num lugar legal, ela conseguiria. Se fosse para facilitar algo para que você conquistasse seus objetivos, ela conseguiria. Efetivamente, ela era uma pessoa "amiga". No entanto, com o passar do tempo, percebi algo que azedou minha admiração por esta pessoa: ela manipulava relacionamentos! Sua amizade nunca era sincera. Sempre se aproximava de alguém por que percebia neste pessoa algo que ela precisava. Assim, para conquistar o que ela queria, ela praticava todas as boas obras possíveis em favor desta pessoa. Em outras palavras, ela era uma pessoa falsa. Com uma diferença: a pessoa falsa apenas "finge" querer bem, é dissimulada; a pessoa "altruísta egoísta" quer de fato o teu bem até o momento em que ela "sugar" o que realmente deseja de ti.

A pessoa altruísta egoísta não ama, manipula. Seus atos são sempre contabilizados. Há segunda intenção em todas as atitudes. É interesseira. Seus relacionamentos são sempre na base da troca. O mercado é seu lugar.

Este "altruísmo egoísta" atinge nossa espiritualidade. Como? Quando estamos dispostos a fazer qualquer tipo de sacrifício pensando que, numa vida pós morte, seremos recompensados. O problema? Tornar o relacionamento com Deus num relacionamento interesseiro. Na oração está assim "Senhor, faço tudo por Ti!", mas nos pensamentos está assim "Se eu não fizer isso irei para o inferno!" Perceba: busca-se ir nas missas ou nos cultos para ir ao encontro de Deus ou para fugir do inferno? Reza-se todos os dias porque é uma satisfação falar com Deus ou porque se não orar/rezar será cobrado por tais omissões?

O Beato José Kentenich dizia que há 3 modos de amar à Deus. O primeiro é que pode-se amar a Deus por temê-lo. Isso significa que, ao conceber Deus como um Juiz-Delegado-Condenador, é melhor ser amigo d'Ele pois, se não o for, será prejudicado. Aqui não há amor propriamente dito.

O segundo modo de amar à Deus é o interesseiro. Este ama a Deus por aquilo que ele pode conceder: o paraíso, bençãos, curas, proteção, etc. De fato, não se ama à Deus, mas os seus benefícios. Acabam-se os benefícios, acaba-se o amor.

O terceiro modo é o amor puramente dito. Amor por amar. Ama-se pelo simples fato da existência.

Quero questionar suas atitudes e seus relacionamentos. Ou melhor, quero questionar a sua fé. Qual o real motivo que te leva à Igreja? À Deus? E as suas "boas ações", você as faz por que são boas ou por que a recompensa por elas é que são boas?

Por um cristianismo que pense!]



1 comentários:

Orvalho do Céu 11 de dezembro de 2011 20:21  

Olá,

" Das alturas orvalhem os céus,
E as nuvens que chovam justiça,
Que a terra se abra ao amor
E germine o Deus Salvador"...


Seja muito abençoado e feliz!!!


Abraços fraternos de paz

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