27 de julho de 2010

Intimidade ou comunicação?


Hoje iniciei meu dia com uma boa leitura. Pudera, pois, nos meus cálculos, dormi cerca de 11 horas esta noite, na verdade, foi uma hibernação (rsrs).
Este livro, em seu primeiro capítulo, fala sobre relacionamentos. Na verdade, trata sobre o modo com o qual eles acontecem em nossos dias. Em meio às grandes invenções dos meios de comunicação (que fazem com que a mensagem chegue à outra pessoa, em questão de segundos, onde quer que ela esteja), descobrimos que o nível de contato pessoal caiu. É irônico saber que estes meios tiveram a pretensão de unir as pessoas, e não distanciá-las. Percebemos que a mensagem chega, mas não a pessoa. A comunicação acontece sem que estejamos presente.

Um grande amigo pregador, Marcone, sempre nos conta em que há irmãos que residem na mesma casa e só se comunicam via messenger ou emails. A única distância é a porta de seus quartos. Não se falam, não se veêm, não trocam afetos. Há uma velho bordão que diz que nossas famílias se tornaram um conjunto de pequenas ilhas. O canal e o programa de Tv, e hoje em dia o site ou programa de computador, define o limite de cada indivíduo em sua casa. A mãe se ocupa com a novela, pai com o futebol, os filhos em seus chats, os mais novos em jogos, e por aí em diante, cada qual na ilha que mais combina consigo, nos limites bem fixos e fechados.

Foi uma grande surpresa quando escutei um palestrante perguntar aos jovens qual era a cor dos cabelos de sua mãe e muitos não saberem responder. E não é porque moravam em outra casa, não. Todos os dias viam sua mãe, mas não a enxergavam.

Tenho um outro amigo que sempre que precisa falar com alguem pede para que uma terceira pessoa o faça por ele. Mais uma vez: a mensagem chega, não a pessoa.

Veja que podemos nos comunicar dos seguintes modos: recados via 3ª pessoa; email, fax, sms ou scraps; telefonema e; pessoalmente. Quanto mais próximos do primeiro item, mais longe estamos de quem queremos nos comunicar.

Qual o resultado ? Conhecemos cada vez menos as pessoas que estão ao nosso redor e impossibilitamos o conhecimento verdedeiro acerca dos novos amigos.

Cada vez mais se torna comum os pais não saberem sobre a vida de seus próprios filhos: com quem andam, o que mais gostam de comer, de ouvir, para onde vão quando querem se divertir... e outras questões que, se foram feitas a muitos pais, eles não saberão responder precisamente.

Um amigo, já casado e pai de uma jovem, conta que sempre cumprimenta a sua filha e suas amigas com um abraço e um beijo. Carinho? Também. Mas através deste afeto ele descobre coisas que outra pessoa não conseguiria mantendo distância. Por sua aproximação, acontece a confiança, tanto por parte de sua filha, quanto de suas amigas. Não apenas isso, mas também ele poderá saber quem fumou, quem bebeu, o que fumou ou o que bebeu. Isso por um simples abraço e beijo. Perceberá se as companhias de sua filha são boas ou ruins e se sua filha já se deixou envolver por algum vício.

Não quero propor beijos e abraços como estratégia para descobrir os "podres" dos outros. Não é este meu interesse. Mas desmonstrar que existem coisas que só são percebidas na aproximação, no toque, no cheiro, e que não podem e não serão percebidas pelo contato mediado pela internet, ou mesmo pelo telefone, muito menos por um recado mandado por outra pessoa.

Nos últimos meses tive alguns desentendimento por conta disso. Baseei minha comunicação apenas por emails, e perdi o essencial: a reação do meu interlocutor. Não pude perceber as emoções e afetos que estavam escondidos atrás das palavras que não tem o colorido do rosto de meu semelhante. Resultado: incompreensão e chateação.

Não desmereço os méritos dos meios de comunicação citados. Mas proponho que voltemos a nos comunicar e não apenas enviar recados. Comunicar a nossa pessoa, nossa presença, e não apenas a nossa mensagem. Voltarmos a reparar no tom da voz, no brilho do olhar, no calor das mãos, na expressão dos semblantes...

Desafio: aumentar um nível em nossa comunicação: recado> email> telefone> pessoalmente.



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