20 de março de 2012

Para nossa alegria = )

Olá, galera!



Decidi fazer uma sessão de humor aqui no blog. Serão imagens, mensagens, piadas (que não sejam sujas, tirinhas e vídeos.

Para estrear nossa sessão, indico este vídeo. Poderíamos colocar assim: "Apenda a cantar em família = )"


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16 de março de 2012

Ideologias e Devoção


"A gente se vê por aqui." Não, não se espante. Não é uma propaganda de uma rede de televisão brasileira. Se bem que, você há de convir comigo, esta ideia foi genial. Um bordão assim nos trás a sensação de intimidade, de encontro, de proximidade. É fantástica a evolução dos meios de comunicação em geral. Nos diversos meios de comunicação, o valor da imagem é altíssimo! Basta acompanhar pelas redes sociais que uma frase compartilhada leva a reflexão, mas uma IMAGEM, Deus do céu, gera um turbilhão de repercussão. Até mesmo aquelas frases que já perderem seu impacto ganham forças avassaladoras quando acompanhada de uma bela imagem. É, já passou da hora de eu começar a aprender mexer no fotoshop... Fico boiando nesta onda!

A verdade é que estamos vivendo uma era da "Ditadura do Simulacro". Há diversas correntes de imagens com frases do tipo: "Como eles vêm... como eu vejo... como realmente é..." O simulacro é aquilo que pretende ser a realidade, mas nunca chega a ser. Toma-se o imaginário pelo real, a fantasia pela realidade.

Há uns anos atrás, em nosso grupo de jovens, rolava um livro ilustrado sobre a Santa Missa. Minha imaginação ganhava asas com as gravuras que foi colocada para "simular" para o pensamento o que seria a realidade da missa. Anjos e demônios, luzes e escuridão, beleza e feiura, coros evangélicos e vozes celestiais diversificava a realidade da missa representada naquelas figuras. "Quanta mística", diriam alguns. Mas daí, quando eu ia para a missa o que eu encontrava: um violãozinho desafinado, uma voz estridente no coro, um sermão sonolento... E a senhorinha recitando piedosamente suas mil ave-marias (santa mulher)! Cadê aquele esplendor todo? E aquele equilíbrio de cores? O que tinha na minha frente era um altar, um ambão, um padre, uma senhora e uma parede em branco.


O engraçado é que nesta ditadura de imagens, a representação rouba o lugar do representado de tal modo que não conseguimos mais imaginar quem ou o que é representado, apenas a sua representação. Explico. Imagine, meu querido amigo, o rosto de Jesus. Pois é... Imaginou um homem branco, bochechas rosadas, pele lisa, cabelos e barbas lisas e sedosas... Seus olhos são azuis, verdes e suas mãos são macias. Mas, já parou para pensar que Jesus era um homem da Palestina e que, debaixo daquele sol todo, sua pele seria, no mínimo, alguns tons mais escuros do que você imagina? E que sua pele não seria tão macia assim... Nem seus cabelos tão sedosos. Já reparou que os palestinos RARAMENTE têm seus olhos claros? Há alguma coisa que os biólogos explicam (e que eu não sei dizer aqui com propriedade) que os seres humanos, nas regiões mais quentes, têm seus olhos escuros (castanhos, ou algo do tipo). Seria a artimanha de nosso corpo para nos proteger contra os raios ultravioletas e coisas do tipo (acho bom consultar um oftalmologista para ter mais informações.. rs). Com todas estas características, o Jesus histórico seria um pouco diferente daquele Jesus "do norte da europa" que vemos nos quadros por aí (confira a imagem deste post).

Não que eu seja contra o uso destas imagens... O que me incomoda é o fato de que muitas pessoas, com santa piedade mesmo, tornam aquilo que é representação (Jesus de olhos claros e etc) como se fosse o Representado (Jesus com perfil árabe) de tal modo que acham um absurdo questioná-las sobre isso. A representação de um Jesus negro então está fora de questão para alguns...

Perceba que esta representação é fruto, muitas vezes, de uma ideologia dominante que deturpa a realidade para comunicar suas idéias. Talvez, para alguns, um Jesus árabe seja um escândalo, pois, por considerarem o "homem branco europeu" o ponto mais alto da evolução da humanidade, tomam toda a humanidade como "raça inferior" (não sei de onde tiraram "raça humana", como se fossemos cachorros com um determinado pedigree). Ouvi histórias de pessoas em determinados lugares que, ao se confessar com um padre negro, procuraram um padre branco para perguntarem se o sacramento foi válido! É, pasmem! Isso acontece debaixo de nossos confessionários...

Acho fantástico quando me enviam imagens de Jesus e de Nossa Senhora negros, indígenas ou orientais (obrigado Isis pelos seus compartilhamentos). No fundo, no fundo, demonstra que o "rosto espiritual" (será que posso usar esta expressão?) de Jesus é multicultural e multiétnico. Ele é de todas as cores e de todos os países deste mundo. É branco, é negro, é indígena, é oriental, é loiro...

Claudio Pastro, com sua sensibilidade artística, busca, em suas obras de arte, romper com esta ideologia. Basta notar a representação de Jesus que ele faz nos crucifixos que são utilizados nas procissões: a imagem é de um Jesus com aspectos indígenas! Nunca reparou? Pesquise uma imagem para notar...

Enfim... devemos tomar todo o cuidado para que a nossa devoção não seja contaminada por ideologias e simulacros de tal modo que surja em nossa mente preconceitos baseados em modismos. Que nossa contemplação perpasse o simulacro e atinja o real.

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15 de março de 2012

Obediência e Liberdade



















"Dê poder à uma pessoa e descubra o que ela é". Por detrás do ditado provocador há um questionamento: o poder te revela ou ele de (de)forma?

Dia-a-dia lido com lideranças das mais variadas realidades. Igreja, escola, empresa, família, bairro, política... Em todo organização humana há liderança. Desde nosso tempo de criança é assim, não é? Ao lado de todo nariz escorrendo e de joelhos ralados há uma criança que dá a brilhante ideia de tocar a campainha e sair correndo pela rua (confesso, era a minha aventura da época). O surpreendente que até o plano mais imbecil, quando proposto por um líder, tem aceitabilidade pelos seus "companheiros". Assim como propostas fantásticas feitas por líderes espetacularmente bons arrastam multidões para ideias de amor e fraternidade.

Que magnetismo é esse que há nos líderes? O que eles têm em si de modo que possam conquistar pessoas para si ou suas ideias?

No cristianismo, obedecer é um ponto fundamental para a Fé: se ter fé é aderir ao projeto de Deus, a obediência ao Seu plano é o elemento, no mínimo, fundamental. Obedecer ou não a este projeto concede nossa identidade religiosa: obedecer significa ser cristão; não obedecer significa não ser cristão. Simples assim. Até aí não vejo problema pois, no meu modo de entender o cristianismo, os mandamentos são sempre caminhos que possibilitam a vida em sua plenitude.

Onde está a dificuldade? No elemento humano. O cristianismo, ao se institucionalizar, se hierarquiza. Esta primeira estrutura, já percebido nos Atos dos Apóstolos, seria a solução pastoral para que todos os cristãos fossem atendidos pelas demandas da Fé: pregação, oração e caridade são os serviços da Igreja Primitiva. O anúncio querigmático era o principal objetivo. Desde a primeira liderança instituída nos Atos dos Apóstolos até os dias de hoje o foco é (ou deveria ser) o mesmo: ser testemunha da ressurreição (cf. At 1,22).

Entretanto, a confusão toda se dá quando o líder cristão (é com eles que escrevo) confunde a obediência a Palavra de Deus com a obediência à sua palavra. A Palavra de Deus gera vida; a pessoal é interesseira. Os planos de Deus têm como propósito a salvação de todo o gênero humano e salvação em todos os sentidos: espiritual, temporal, físico, emocional, psicológico, financeiro, etc..etc.. O plano do líder que, no âmbito religioso, não aponta para o plano de Deus, tem como finalidade única a autopromoção.

É no líder que busca a autopromoção que está a dificuldade da obediência. O Catecismo da Igreja Católica entende que não estamos obrigados à obediência quando contrárias à ordem moral (cf. CIC §2256). Por muito tempo ouvi que quando obedecemos à uma ordem que está errada, o erro não é nosso, mas do líder que apontou para o erro. No entanto, há algo que deve ser levado em conta: a obediência é um ato deliberativo, ou seja, obedecer é uma ação que, enquanto tal, exige nossa consciência e liberdade. Somos nós, individualmente, que decidimos por obedecer. Se decidimos por obedecer significa que concordamos com os propósitos e intenções de quem nos deu a ordem. Deste modo, ser obediente quando o líder nos pede algo que é errado é ser partícipe de seu erro.

Temos o direito de questionar determinadas ordens. Os próprios discípulos fizeram questionamentos à ordem do Mestre! A diferença está que Jesus mostrou vida como resultado da obediência. O que acontece em alguns líderes é que, após obedecerem às suas ordens, só se vê autopromoção, mágoas e escravidão. Líderes que pisam nas pessoas, são arrogantes ou que menosprezam seus irmãos e suas irmãs não devem ser sustentados pela obediência cega das pessoas de seu grupo. Pior ainda quando instrumentalizam as pessoas para proporcionar-lhes mais benefícios.

A liderança que, de fato, tem em si os valores do evangelho vai além da obediência, pois promove paz, amor e igualdade. Não passa por cima das opiniões, mas aponta para a direção e faz os outros sonharem com os mesmos ideais. Não usa recursos de opressão quando é questionada, mas abre-se ao diálogo.

Liderar é permitir-se promover a Vida na vida humana. É gerar frutos. É ser testemunha da ressurreição de pessoas!


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7 de dezembro de 2011

Altruísmo Egoísta


Algumas considerações introdutórias. Altruísta é aquela pessoa solidária que se preocupa com os outros ao ponto de, se preciso for, se prejudicar para favorecer outra pessoa. Uma pessoa que tem como visão o bem estar do próximo (em determinada visão teológica, este seria o Amor de Jesus pela humanidade, que chegou ao seu momento ápice na Sua entrega voluntária na cruz).

Você deve estar pensando: "Ei, pera aí! Altruísmo é antônimo de egoísmo! O que você, Henrique, quer dizer com 'altruísmo egoísta'?" Mate esta charada comigo.

Conheci uma pessoa que era fácil em fazer amizades. Fiquei entusiasmado com esta capacidade. De fato, as pessoas quando inseridas em seu campo de amizade eram bem tratadas, elogiadas e favorecidos. Se fosse um emprego, ela conseguiria. Se fosse para cantar num lugar legal, ela conseguiria. Se fosse para facilitar algo para que você conquistasse seus objetivos, ela conseguiria. Efetivamente, ela era uma pessoa "amiga". No entanto, com o passar do tempo, percebi algo que azedou minha admiração por esta pessoa: ela manipulava relacionamentos! Sua amizade nunca era sincera. Sempre se aproximava de alguém por que percebia neste pessoa algo que ela precisava. Assim, para conquistar o que ela queria, ela praticava todas as boas obras possíveis em favor desta pessoa. Em outras palavras, ela era uma pessoa falsa. Com uma diferença: a pessoa falsa apenas "finge" querer bem, é dissimulada; a pessoa "altruísta egoísta" quer de fato o teu bem até o momento em que ela "sugar" o que realmente deseja de ti.

A pessoa altruísta egoísta não ama, manipula. Seus atos são sempre contabilizados. Há segunda intenção em todas as atitudes. É interesseira. Seus relacionamentos são sempre na base da troca. O mercado é seu lugar.

Este "altruísmo egoísta" atinge nossa espiritualidade. Como? Quando estamos dispostos a fazer qualquer tipo de sacrifício pensando que, numa vida pós morte, seremos recompensados. O problema? Tornar o relacionamento com Deus num relacionamento interesseiro. Na oração está assim "Senhor, faço tudo por Ti!", mas nos pensamentos está assim "Se eu não fizer isso irei para o inferno!" Perceba: busca-se ir nas missas ou nos cultos para ir ao encontro de Deus ou para fugir do inferno? Reza-se todos os dias porque é uma satisfação falar com Deus ou porque se não orar/rezar será cobrado por tais omissões?

O Beato José Kentenich dizia que há 3 modos de amar à Deus. O primeiro é que pode-se amar a Deus por temê-lo. Isso significa que, ao conceber Deus como um Juiz-Delegado-Condenador, é melhor ser amigo d'Ele pois, se não o for, será prejudicado. Aqui não há amor propriamente dito.

O segundo modo de amar à Deus é o interesseiro. Este ama a Deus por aquilo que ele pode conceder: o paraíso, bençãos, curas, proteção, etc. De fato, não se ama à Deus, mas os seus benefícios. Acabam-se os benefícios, acaba-se o amor.

O terceiro modo é o amor puramente dito. Amor por amar. Ama-se pelo simples fato da existência.

Quero questionar suas atitudes e seus relacionamentos. Ou melhor, quero questionar a sua fé. Qual o real motivo que te leva à Igreja? À Deus? E as suas "boas ações", você as faz por que são boas ou por que a recompensa por elas é que são boas?

Por um cristianismo que pense!]



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23 de novembro de 2011

Algo sobre o Amor


Amor. O que dizer sobre ele? Das palavras, as ações são as mais belas.
Há no amor, ou melhor, no Amor (iniciando com MAIÚSCULA), algumas características essenciais. Sem elas não se pode dizer que compartilhamos de sua excelência.

Uma delas é que o Amor deseja a Eternidade. Pede para que dure para sempre. Não uma utopia sonhadora, doce ilusão, mas a eternidade que se concretize no hoje. O amanhã... Bom, não há amanhã quando se pensa em eternidade. Tudo é o próprio instante vivido. Passado, presente e futuro se confundem por serem misturados na dose refrescante do cálice do Amor. É de se notar também que, não havendo futuro, não há passado. O Amor verdadeiro não é medido por aquilo que se fez, mas por aquilo que se está disponível a fazer. Às vezes os casais percebem que não amam mais seu parceiro, mas se chocam com as lembranças dos sacrifícios passados. Não nego que um dia houve amor. Mas Amor, de fato, não é medido pelo que se fez, no passado, mas pela quantidade de sacrifícios e intensidade de entrega disponível no momento presente. Neste sentido, Amor não é paixão. É entrega.

Diz-se que, já chegado no fim de sua vida, o Apóstolo Pedro fugia do caminho que levava à cidade de Roma. Sabendo que nesta cidade a perseguição aos cristãos era cruel, não quis “pagar” este preço por sua fé. No entanto, no mesmo pé de estrada, este apóstolo avista, lá longe, um homem carregando uma cruz. “Deve ser mais um condenado pelo Império Romano”, pensou ele. Tal espanto se deu ao perceber que aquele homem era o mesmo que, alguns anos atrás, padecia numa cruz: JESUS. “Mas, o que fazes, meu Senhor? Para onde vais?”, disse-lhe Pedro. Jesus, suavemente lhe respondeu: “Irei para Roma. Morrerei em seu lugar outra vez!” A entrega é característica fundamental do amor. Sem egoísmo, a vida do outro é amada e cuidada por simplesmente existir. Amor que deseja se satisfazer não é amor. Ou melhor, o Amor encontra satisfação na entrega de si em favor de outro. E não importa quantas vezes for necessário repetir seu ato de entrega.

Por desejar entregar-se, o Amor pede que seja público. O mistério é desfeito no olhar, nos gestos. Amor escondido é paixão. É temor. Quem ama não se cala. Se move. O livro do Cântico dos Cânticos compara o Amor ao fim do inverno. “As flores florescem na terra” (Cf. Ct 2,12), todos notam sua presença. O desejo de se tornar público, de declarar-se perante nações, compõe essencialmente o amor.

Das Escrituras, uma das passagens mais belas:

O amor é forte, é como a morte.
Suas chamas são chamas de fogo
uma faísca de Iahweh.
As águas das torrentes jamais poderão
apagar o amor,
nem os rios afogá-lo
Quisesse alguém dar tudo o que tem para comprar o amor...
(Cântico dos Cânticos 8,6b-7)




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16 de novembro de 2011

Pornografia: Pecado Pessoal X Responsabilidade Social


Tenho feito algumas palestras sobre sexualidade nestes meses. Experiências que me enriquecem por poder partilhar opiniões e vivências. No entanto, uma pergunta se repetiu algumas vezes - e me motivou a escrever este artigo: "Ver filme pornô é pecado? Mas não estou matando nem xingando, faço isso sozinho no meu quarto... Deus não se importaria mais com o fato de eu fazer o mal à alguém do que eu ver um filme erótico?"

Antes de mais nada, vamos entender do que se trata a pornografia. Pornografia é toda exposição explícita de cenas sexuais com o objetivo de excitar quem as vê. O termo "pornô" vem da palavra grega pornéia, que significa fornicação, prostituição, relação sexual ilegítima ou ainda idolatria. É esta mesma palavra que gerará o termo pórne, que significa prostituta ou meretriz.

Tomando como base o termo pornéia enquanto relação sexual ilegítima, o ato de consumir pornografia me coloca em comunhão com seus atores. A pornografia, neste caso, não é praticada apenas pelos atores e pelas atrizes, mas também por quem é o destinatário deste "espetáculo": o consumidor. Sendo assim, ao se assistir um determinado filme pornô, ou ver uma revista, não é um ato individual e sim coletivo. Há interação direta (mesmo que não seja através do contato sexual-genital) entre o/a ator/atriz e o seu espectador: troca de emoções, sensações, imaginações, afetos, desejos... Assim, pornográfico não é só filme, a revista ou seus atores e suas atrizes, mas também seus espectadores e consumidores.

Entendendo também o termo pornéia enquanto "idolatria", repetidamente usada no Antigo Testamento para qualificar a atitude daqueles que abandonavam Javé por outras divindades, poderíamos estendê-la à prática sexual enquanto "endeusada" por nossa sociedade. Idolatria é o ato de cultuar deuses fabricados para determinadas circunstâncias. Para cada situação, um ídolo é criado: se quer chuva, sacrifica-se ao deus da chuva; se quer amor, realiza-se uma oferta à deusa do amor. No caso da pornografia, o seu consumo é uma "oferenda", por assim dizer, à realidade humana que é divinizada: o sexo. Nota-se que, hoje mais do que ontem, o apelo sexual é veemente. Pessoas que se mantêm virgens para o casamento são ultrapassadas e "bobas", pois não cultuam o "deus sexo". A oferenda: o próprio corpo como objeto de prazer. Aquele que recorre à pornografia está diante de duas situações: à do prazer em si mesmo (o sexo pelo sexo) e; a da fabricação de uma realidade (a fantasia sexual).

Há outra dimensão da pornografia que é esquecida: a responsabilidade social sobre o seu consumo. Quem compra, adquire, baixa ou assiste está contribuindo com a indústria pornográfica que, para fornecer seu material, contrata rapazes e moças para serem objetos do voyeur de seus consumidores. Uma autora norte americana, Andrea Rita Dworkin, afirma que a pornografia é um dos instrumentos de violência à mulher. Tornando-a como objeto de prazer, a pornografia lida, de modo sórdido, com sua sexualidade. Reduzida à coisa, a mulher deixa de ser pessoa para ser a "garota de programa", ou ainda, "a atriz pornô". Você pode pensar: "tá, mas e eu com isso?" Aqui entra o tema: ao consumir tais produtos, financia-se este esquema de exploração sexual e esta ideologia machista que compreende a mulher como simples objeto sexual. Quando é financiado? No ato do consumo! Ao perceber que seu produto têm público, cada vez mais as empresas pornográficas investem no ramo, contratando centenas e centenas de atores e atrizes pornôs para, simplesmente, serem objetos sexuais. Isso sem contar no risco de contaminação com alguma DST ou ainda com alguma gravidez indesejada. Ainda poderíamos perceber quantas boates e casas de prostituição convidam tais atores/atrizes para suas "festas".

Você ainda acha que consumir pornografia é um ato "individual"? Pense bem.

Paz de Jesus!

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13 de abril de 2011

Eu? Magina!


Vem se aproximando as grandes celebrações que marcam a transição do período quaresmal para o período Pascal. É um tempo de graça! É um tempo para reflexão!
Meditaremos, nos próximos dias, pela Liturgia Católica, a traição de Judas e a negação de Pedro. O que os levou a por os seus "pés atrás" com relação ao projeto de Jesus? Por que o traíram e o negaram?

Na cena da negação de Pedro, narrada pelo evangelista Mateus (capitulo 26, do versículo 69 ao 75), encontramos o apóstolo no pátio do Sinédrio. Muitas outras pessoas estavam naquele local, se aquecendo numa fogueira que reunia toda aquela gente ao seu redor. Por três momentos, aquela gente toda pergunta à Simão se ele também não era discípulo de Jesus. A resposta negativa é incisiva: "Não conheço este homem" (Mt 26,74).

Uma obra muito conhecida de Maquiavel, chamada "O Princípe", nos concede uma definição de VIRTUDE bem diferente daquela que conhecemos. No entender de Maquiavel, a virtude são aquelas atitudes necessárias ao príncipe que tem por finalidade conquistar a amabilidade e a temerosidade de seus súditos. Virtude, para Maquiavel, não é o compromisso com as boas obras ou a justiça, mas, antes, todo o esforço que se faz para se manter no poder e ter a aprovação das pessoas. Em outras palavras, a virtude, assim compreendida, é a tentativa de ser aceito pelas pessoas. É a capacidade de agradar a maioria e corresponder-lhe aos seus anseios para que não obtenha dela a desaprovação. Por isso, o político dará "pão e circo" às pessoas. Reformará a praça, promoverá dias de jogos, dará brindes... e assim será bem quisto, podendo manter-se no poder (e "tapando" suas atitudes injustas).

Pedro era discípulo de Jesus. Segundo a narrativa de Mateus, momentos antes ele havia declarado para Jesus que "mesmo que tiver de morrer contigo, nao te negarei!" (Mt 26,35). Particularmente, não desconfio da boa intenção de Simão naquele momento. Mas agora, ele estava no pátio, com outras pessoas. E estava frio... Ele queria seguir Jesus, mas ao mesmo tempo não queria deixar o conforto de ser aquecido por aquela fogueira. E, para permanecer na fogueira, não se podia identificar como discípulo daquele homem que estava sendo julgado pelo Sinédrio, a instância máxima política e religiosa da região. Estava num ponto entre o conforto e possibilidade de ser entregue as autoridades. Em troca de conforto, prefere negar sua identidade. Em troca de ser acolhido, permanecer aquecido e mesmo participar da solidariedade de outras pessoas - um cafézinho quente deveria passar de mão e mão naquele momento, um biscoito, cobertores... Se entendermos a virtude como Maquiavel entendeu, em certo sentido, Simão foi um homem virtuoso. Conquistou a amizade, ou pelo menos a receptividade, daquele grupo. O preço: a negação.

Não sei se é pela influência da ideologia capitalista, mas somos acostumados a querer tudo, a todo momento, mesmo que estas coisas sejam excludentes entre si. O rapaz quer casar, mas não para de trair sua noiva. A moça quer ver seus cabelos longos, mas corta-os pois não quer o trabalho de cuidar deles. A criança quer a chupeta e a mamadeira ao mesmo tempo. Queremos seguir a Deus mas compartilhamos com valores que são contra a vida... É, assim não dá...

Decisão implica num compromisso de vida e na renúncia de seu contraditório ou excludente. Ficar em cima do muro é a atitude daquelas pessoas que só vêm a vida passar, mas não vivem de verdade. Precisamos descer, para um lado ou para o outro. Para cá, ou para acolá. Assumir a aventura da vida. Desbravar a floresta, ou pelo pântano, ou pela umidade das mata selvagem. E nossa escolha provoca, ao mesmo tempo, aplausos e desaprovação. Agradamos alguns, irritamos a outros. Mas o que queremos, afinal de contas? Viver a vida apenas para agradar a gregos e troianos? Ser infiel com as próprias convicções? Ser marionete das circunstâncias?

A negação de Jesus, feita por Pedro, na verdade é a negação que ele fez de si mesmo. Negar o que se acredita é negar a si próprio. A personalidade de Pedro foi negada. Confira no evangelho, ele foi identificado como discípulo de Jesus pela forma de falar (cf. Mt 26,73). Querer agradar a todos é ser perceber "derretendo", sem consistência.

Talvez, como meditação, poderíamos nos perguntar: "Quem eu sou, de verdade?"

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28 de março de 2011

Evangelização ou novidades?


De tempos em tempos a criatividade das pessoas se renovam. Vejo muito disso na igreja. Novas formas de evangelização. Novos nomes. Novas tecnologias...


O que me preocupa é a finalidade destas novas ações dentro da igreja e conteúdo que tem sido transmitido.

É bem verdade que a boa vontade guia muita gente. São pessoas que percebem que há muito o que se fazer. No entanto, muitas dessas pessoas não sabem como começar. O resultado: fazem da mesma forma, sem saber o que está sendo feito e como deve ser feito. A consequência é o desânimo pelo erro.

Existem coisas que são fundamentais, outras que são secundárias.

Numa construção, o primeiro a se fazer é olhar o terreno. Perceber seus declives, se tem muita ou pouca água, se é arenoso ou firme. Parece cair no lugar comum quando escrevo isso mas, se não olharmos o terreno, vão será o projeto para ele. Muita gente sonha, e isso é bom. Mas quando tomam atitudes para tornar estes mesmos sonhos em realidade esquecem de ouvir o outro lado: a realidade. O sonho que não passa pela realidade é ilusão. Apenas o insensato, diz Jesus, constrói a sua casa em cima da areia (Mt 7,26).

O ponto de chegada é tão importante quanto o ponto de partida. Saber de onde se parte é fundamental. Não adianta ter o sonho de tocar violão, assumir uma missa, e não saber fazer uma nota sequer. Mesmo que você tenha um violão caríssimo, feito com a melhor madeira, com as melhores cordas e emparelhado com a melhor tecnologia. Se não se souber tocar não sairá uma música na missa.

Tem muita gente querendo fazer coisas, maquiando o exterior, mas sem conteúdo em seu interior. Muita gente que tem buscado técnicas vocais, figurinos da moda, e tantas outras coisas sem se preocupar com algo fundamental: a mensagem a ser transmitida. Não digo apenas com relação a música, mas a uma grande parte dos projetos que têm sido feito na igreja. Buscam sofisticação, não conteúdo.

Tem muita gente que tem buscado um formato legal de evangelização, mas sem se aprofundar no Evangelho. Resultado: divulgam a si mesmo, não o evangelho. Não seria este anúncio sem conteúdo uma forma de "ativismo religioso?"

Num certo sentido, são pessoas que querem trazer uma "novidade", ganhar popularidade e serem donas de um projeto que corresponde ao "espírito da época". Ora, são máscaras pintadas com cores diferentes sendo usadas para cobrir a falta de profundidade em seu ministério. Não sou "penso" para apenas um lado da questão: é necessário novas formas de evangelização, mas sem se priorizar as "novas formas" em detrimento da "evangelização".

Quero deixar este texto incompleto e pedir sua ajuda para completá-lo. Comente...

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